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Seeb realiza seminário sobre a história das lutas dos trabalhadores da Caixa

Seeb realizou na última quinta-feira, 27 de junho, o evento “A Caixa que construímos X a Caixa que construiremos”.


Não poderia ter sido diferente. Aproveitando a estadia da sindicalista do Espírito Santo, Rita Lima, em Blumenau, o Seeb reuniu dirigentes e delegados sindicais para um seminário sobre a memória das lutas dos trabalhadores da Caixa. A conversa aconteceu na última quinta-feira, dia 27 de junho, na sede da entidade. 


Com o tema “A Caixa que construímos X a Caixa que construiremos”, Rita Lima resgatou as origens do movimento de trabalhadores da Caixa, fruto da influência exercida por uma safra de novos empregados egressos do movimento estudantil. De acordo com Rita, a experiência dessa nova geração deu origem a um movimento de trabalhadores que se auto-organizou, se desatrelando da estrutura sindical oficial sob o domínio do Estado. Neste momento, entra em cena o Novo Sindicalismo, fenômeno político que se contrapunha ao sindicalismo oficial de então, puramente assistencial e diretamente atrelado aos desígnios do Estado.


Novo Sindicalismo: vitórias e limites


Com a chegada no Novo Sindicalismo e o acúmulo de experiências do movimento, a categoria passou a ter papel decisivo em vitórias das maiores que o movimento já viveu, como a maciça mobilização em 1985 pelo direito à sindicalização e à jornada de seis horas diárias como os demais bancários. Mas a década seguinte reservou aos bancários da Caixa muitos ataques. “Nos anos 1990, viriam mudanças de ordem sociotécnica e político-econômica, como a reestruturação produtiva, a automação bancária e as políticas neoliberais de precarização das condições de trabalho. No governo Collor, os bancários da Caixa foram alvo de campanhas midiáticas difamatórias e demissões sem motivo. Durante os governos FHC, uma política de arrocho salarial, perseguição e até demissões nos impuseram perdas salariais da ordem de 40%”, destaca.


Entre 2003 e meados dos anos 2010, os bancários da Caixa obtiveram uma nova série de conquistas, como a negociação coletiva em mesa única e a recuperação de parte das perdas salariais dos anos 1990, além de ampliação no quadro de empregados e no campo de atuação da estatal. “No entanto, cabe notar que a linha política de colaboração de classes, hegemônica nos movimentos sindical e popular, requer e produz o enfraquecimento organizativo e ideológico da categoria e, no limite, da classe trabalhadora como um todo. Quando essa linha política é minada, por modos diferentes, as organizações, direções, bases sindicais e uma leva de sindicalistas já experientes na luta, se tornam passivos”.


Com isso, conforme Rita Lima, a leva seguinte de trabalhadores, ainda em formação, é forjada num ambiente de capitulação ideológica crescente ao liberalismo contemporâneo, ao irracionalismo pós-moderno e sem formação teórica suficiente. “Eles não compreenderão as causas dos problemas que sofrem. Entra em voga, novamente, o entendimento de que sindicatos são clubes de prestação de serviços e não órgãos de luta econômica e política da classe. Assim, se configura aí uma armadilha geracional para a classe”.


O final da fase de alta no valor internacional das commodities se encerra e a bonança e a linha política colaboracionista cobram seu preço: uma vez que tal colaboração deixasse de ser proveitosa às classes dominantes, estas poderiam partir à ofensiva sem encontrar resistências. Encontram, aliás, terreno fértil numa população capturada por uma investida ideológica reacionária de larga escala. As medidas precarizantes, em curso ao menos desde 2012, se acirram em muito com o impeachment de 2016 e ganham ainda mais feições de destruição total com o governo Bolsonaro, em que o trabalhador ou está desarmado para fazer frente às propostas do governo ou até mesmo se diz favorável.


Em busca de saídas


Por trás das derrotas e capitulações do movimento sindical, está o abandono da concepção conflitiva das relações entre capital e trabalho. A sindicalista afirma que uma política estruturada de formação sindical tem papel fundamental na resistência e na criação de uma contraofensiva. As duras verdades que ela anuncia não são, contudo, motivo para desalento. Muito pelo contrário, trata-se de motivos reais e concretos pelos quais se pode falar em esperança.


Sobre Rita Lima


A bancária Rita de Cássia Santos Lima é aposentada pela Caixa Econômica Federal, banco em que iniciou sua trajetória na década de 1970. Iniciou sua atuação ainda sob a ditadura militar de 1964, época em que só de modo clandestino se podia organizar a luta dos trabalhadores. Desde então, está à frente dos bancários do Espírito Santo em defesa das suas condições de trabalho. Foi delegada a representar sua base sindical desde a 3ª edição do Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (CONECEF), que este ano reaizará sua 35ª edição.
 

Fonte: Texto: Leo Montes (Caixa) / Edição: Raquel Tamara Bauer | 04/07/2019
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