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Em defesa das empresas públicas

Congresso da Fetrafi-SC debate reforma da previdência e as novas tecnologias

De acordo com dados, as novas ferramentas digitais estão tomando o lugar dos bancários, mas os bancos continuam a lucrar.

O cenário político atual é desfavorável para a classe trabalhadora, que se vê na iminência de perder direitos, principalmente sobre a aposentadoria, a qualquer momento. Além disso, 13 milhões de pessoas estão desempregadas e outras 35 milhões vivem na informalidade. A parte da sociedade que se mantém empregada enfrenta condições de trabalho cada vez mais duras ou ameaçada pela chegada das novas tecnologias, como é o caso dos bancários, já que em 2018 40% das transações bancárias foram feitas via smartphone.


Diante dessa realidade e em busca de soluções, no sábado, dia 6 de julho, a Fetrafi-SC realizou a 21ª Conferência dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do Estado de Santa Catarina, que aconteceu em Florianópolis e reuniu aproximadamente 150 bancários vindos de cidades como Concórdia, Joaçaba, Criciúma, Chapecó, Araranguá, Florianópolis e Blumenau.


Deu início à conferência o técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fernando Amorim, com a palestra: “As novas tecnologias, reorganização bancária e crédito no Brasil: o papel dos bancos públicos na atualidade”. Ele trouxe dados que expõem o impacto das novas tecnologias para o dia a dia do bancário, já que, apenas em 2018, 40% das transações bancárias foram feitas pelo celular. Em 2014 esse número era 10%. 
 

Ele ainda destacou que em 2017, cerca de 1,6 milhões de contas foram abetas pelo celular. Em 2018, esse número subiu para 2,5 milhões, quase o dobro. Conforme ele explica, o que está acontecendo é uma migração dos usuários do banco para os meios digitais. O resultado disso é assustador: mais de 60 mil postos de trabalhado fechados em bancos desde 2013. Apenas em 2019, já são 1.700 postos a menos.


Com menos usuários indo aos bancos físicos, os bancários começam a perder seus postos de trabalho, porém, o lucro dos bancos não é afetado. De acordo com informações da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), divulgada em fevereiro desde ano, quatro, dos cinco maiores bancos do país, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, somaram R$ 73,2 bilhões em 2018, um crescimento médio de 12,8% em doze meses e rentabilidade variando entre 13,9% (no Banco do Brasil) e 21,9% (do Itaú Unibanco).


Em seguida, a doutora em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp, Marilane de Oliveira Teixeira, fez reflexões sobre a situação política do Brasil: “Características do governo Bolsonaro e o problema da falta de perspectiva para a retomada do desenvolvimento, e os grandes desafios do movimento sindical e da classe trabalhadora”.


De acordo com ela, a reforma da previdência está sendo tratada da mesma forma que a reforma trabalhista foi há dois anos. “Virou quase um mantra... Essa ideia de que se a reforma não for aprovada não haverá geração de emprego, como se isso fosse uma fórmula mágica”. Mas ela afirma que a reforma trabalhista enfraqueceu e fragilizou os trabalhadores, os sindicatos e a própria justiça do trabalho. “Houve um aumento da desestruturação do mercado de trabalho. De cada 10 pessoas que estão na informalidade, apenas uma vai para a justiça pedir vínculo com o emprego”.


Usando como exemplo os bancos, a economista considera que o emprego de bancário virou motivo insegurança para os trabalhadores. “Nos anos 1980 emprego no banco era pra vida toda. Isso está desaparecendo completamente, não se tem mais a perspectiva de carreira no banco, virou um emprego de passagem”. Para ela, uma das soluções é repensar a estrutura da classe sindical, que estão se encolhendo ao invés de expandir.
 

O secretário geral da Fetrafi-SC, Jacir Zimmer, destacou três pontos principais para serem trabalhados: os desafios com as organizações financeiras, que passa por transformações brutais; o Estado que está sendo pensado para o Brasil, que privilegia poucos; e as reformas, em que os mais atingidos ainda não se deram conta do que está para acontecer. “Vão ter que trabalhar e pagar mais para se aposentar mais tarde, isso se conseguirem se aposentar...”.


O período da tarde foi reservado para informes do Comando Nacional dos Bancários e contou também com uma importante fala sobre o presente cenário de disputa no Congresso Nacional com os deputados federais Pedro Uczai (PT-SC) e Paulo Pimenta (PT-RS). Após, aconteceram as mesas temáticas de debate entre Caixa, Banco do Brasil e os bancos privados. 
 

Encontro dos bancos
Fez parte também do congresso o encontro dos bancos, onde os trabalhadores das instituições financeiras se dividiram para tratar de assuntos relacionados às demandas cada um deles. Além disso, para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal foram escolhidos os delegados que irão participar do Congresso Nacional da Caixa, o Conecef; o Congresso Nacional do Banco do Brasil, o CNFBB; e a Conferência Nacional dos Bancários.


Ao final, os participantes aprovaram por aclamação os encaminhamentos gerais: contribuir com a criação da frente parlamentar catarinense em defesa dos servidores e das empresas públicas e a luta em defesa da previdência, pressionando com atividades locais os deputados federais e atos de pressão parlamentar e diálogos com a sociedade no próximo dia 12 de julho, quando acontece mais um ato nacional contra a reforma da previdência.


Próximos congressos
Os próximos congressos dos trabalhadores bancários já têm data marcada. Nos dia 1º e 2 de agosto, acontece o 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) e o 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, ambos em São Paulo. O Sindicato dos bancários de Blumenau terá representantes nos dois eventos.


Já nos dias 3 e 4 de agosto, acontecem também em São Paulo, a 20ª Conferência Nacional dos Bancários. O presidente do Seeb Blumenau, Edson Luiz Heemann e a Diretoria de Educação Sindical, Maria Terezinha Rondon, estarão presentes.  
 

Fonte: Textos e fotos: Raquel Tamara Bauer - Impresa Seeb Blumenau | 08/07/2019
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